Death Note (2017)

Death Note (2017) é um filme de acertos e erros, cuja ligação com o aclamado material de origem torna mais relevantes estes segundos.

Inicialmente, cumpre salientar que o filme é divertido. Suas 1h40min de duração passam de forma tranquila, sem grandes "barrigas". Além disso, a fotografia é muito boa, incluindo boa utilização do plano holandês. Nesse ponto, destacam-se a cena de abertura, que, em câmera lenta e com música de fundo (me lembrando Donnie Darko), apresenta os personagens Light Turner - um sujeito inteligente, mas com desvios morais - e Mia Sutton - uma líder de torcida entediada. Destaca-se, ainda, a ótima cena em que alguns, sob a influência das palavras escritas no Death Note, pulam de um prédio. Outro ponto interessante é o clima de terror teen americano proposto no início, com direito a algumas cenas de mortes no estilo da série Premonição.

Diante desses acertos, o filme poderia muito bem se destacar caso não tivesse optado por manter os nomes dos personagens do mangá/anime.

Embora os quatro personagens principais do longa-metragem (Light/Kira, L, Mia e Ryuk) tenha os mesmos nomes daqueles que vemos no material-fonte, fica claro que vemos aqui outras pessoas. Light não é tão inteligente quanto no anime e desde o início se mostra corrompido. Ryuk não serve como a influência negativa que deveria ser, até por Light não parecer precisar muito de uma influência externa para se corromper, sendo que Mia parece muito mais cumprir esse papel. Falando nessa personagem feminina, o filme não aprofunda na mesma, não mostrando o que a tornou a pessoa tão fria mostrada no longa.

Um ponto interessante da mitologia de Death Note é que sempre foi exposto que o caderno já havia passado por outras pessoas e que poderiam até mesmo existir outros. Dessa forma, os desenvolvedores tinham aqui a chance de criar personagens totalmente novos, possibilidade reforçada pela ampla margem de liberdade dada pela Netflix aos criadores de seu conteúdo. No entanto, os desenvolvedores aqui optaram por nem seguir a risca o material original e, ao mesmo tempo, se apegar aos nomes dos personagens, prendendo a obra em um limbo incômodo.

Além do fraco desenvolvimento de alguns personagens, outro ponto negativo é a péssima interpretação do ator Nat Wolf (Light Turner), que em diversos momentos berra desnecessariamente, além de ter uma expressão facial típica de novelões.

Assim, temos aqui um filme divertido e interessante, mas que, por escolhas dos próprios desenvolvedores, não pode ser avaliado sem comparações com o material-fonte.

Nota: 7/10.


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